Odeio silêncio.
Odeio silêncio com cada pequeno átomo daquele lobo cerebral que regulariza o ódio. É muito por causa disso, também, que não sou grande fã de insónias. Especialmente aquelas que parecem vigílias.
Imagina isto.
São duas da manhã. Os teus olhos pesam, sentes os teus músculos a dar de si, o algoz "até amanhã" resguarda o seu domínio sobre ti e sente-lo a lutar contra ti, contra o teu desejo animalesco de o derrotar. O teu quarto toma formas alienígenas, desconhecidas até para ti. Sentes-te conformado com isso. É nesse entorpecimento que o sono te leva. Deitas-te, ciente de que hoje perdeste a batalha.
Esperas que os teus lençóis te acariciem, que a tua cama te proporcione um "abraço" semi-maternal e nele, esperas cair no sono. Mesmo antes de adormeceres contas ovelhas, pensas em dias melhores, pastos mais verdes, dias mais produtivos; pedes que o sol traga um dia semelhante. Fechas os olhos.
São duas e meia da manhã. Acordas, não sabes bem do quê. Não te pareceu sono. Não sonhaste. Sabes que mesmo que sonhasses não te lembrarias de quê, mas precisas do intervalo onírico, entre os dias e as noites e as noites e os dias, e do conforto consequente.
É aí que a insónia se apodera de ti.
Apercebes-te dos sons lá fora. Da cadência dos carros na rua. O ritmo hipnotizante daquilo que te é exterior, daquilo que não faz parte do sono que agora tanto desejas. Resignaste-te, perdeste a batalha e agora não te deixam recolher os espólios da derrota. Por agora e, contraditoriamente, o teu tesouro é o silêncio, realçado pelo compasso minimalista de sons longe de ti.
Não gosto de silêncio. Não é tesouro nenhum. Se tu não gostasses de te ouvir a pensar, também não gostarias do silêncio. Pior ainda, é nessa altura que a solidão se torna dolorosamente aparente. E é aí que começa a tua vigília.
Acredito que te pareça contraditório, mas sabes tão bem como eu que nessas alturas, os sons externos são uma necessidade e prendes-te neles. Entras num ritmo semi-paranóico de *apropriação* de sons.
Mas já são cinco da manhã, a rua não te oferece nada que não silêncio. Resta-te esperar pelo novo dia.
Odeio silêncio com cada pequeno átomo daquele lobo cerebral que regulariza o ódio. É muito por causa disso, também, que não sou grande fã de insónias. Especialmente aquelas que parecem vigílias.
Imagina isto.
São duas da manhã. Os teus olhos pesam, sentes os teus músculos a dar de si, o algoz "até amanhã" resguarda o seu domínio sobre ti e sente-lo a lutar contra ti, contra o teu desejo animalesco de o derrotar. O teu quarto toma formas alienígenas, desconhecidas até para ti. Sentes-te conformado com isso. É nesse entorpecimento que o sono te leva. Deitas-te, ciente de que hoje perdeste a batalha.
Esperas que os teus lençóis te acariciem, que a tua cama te proporcione um "abraço" semi-maternal e nele, esperas cair no sono. Mesmo antes de adormeceres contas ovelhas, pensas em dias melhores, pastos mais verdes, dias mais produtivos; pedes que o sol traga um dia semelhante. Fechas os olhos.
São duas e meia da manhã. Acordas, não sabes bem do quê. Não te pareceu sono. Não sonhaste. Sabes que mesmo que sonhasses não te lembrarias de quê, mas precisas do intervalo onírico, entre os dias e as noites e as noites e os dias, e do conforto consequente.
É aí que a insónia se apodera de ti.
Apercebes-te dos sons lá fora. Da cadência dos carros na rua. O ritmo hipnotizante daquilo que te é exterior, daquilo que não faz parte do sono que agora tanto desejas. Resignaste-te, perdeste a batalha e agora não te deixam recolher os espólios da derrota. Por agora e, contraditoriamente, o teu tesouro é o silêncio, realçado pelo compasso minimalista de sons longe de ti.
Não gosto de silêncio. Não é tesouro nenhum. Se tu não gostasses de te ouvir a pensar, também não gostarias do silêncio. Pior ainda, é nessa altura que a solidão se torna dolorosamente aparente. E é aí que começa a tua vigília.
Acredito que te pareça contraditório, mas sabes tão bem como eu que nessas alturas, os sons externos são uma necessidade e prendes-te neles. Entras num ritmo semi-paranóico de *apropriação* de sons.
Mas já são cinco da manhã, a rua não te oferece nada que não silêncio. Resta-te esperar pelo novo dia.